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Metas e sonhos

O que fazer com o 13º salário em casal: a ordem do dinheiro

O 13º chega em duas parcelas e costuma ter mais destino do que valor. A ordem para o casal combinar antes: dívida, colchão, janeiro, fim de ano, meta e o valor de cada um.

Madu Freire Avaliado por Mary Kondratieva Publicado em 7 min de leitura

Capa do artigo sobre planejar os objetivos do casal com prazo e valor: fundo preto, a palavra Metas e sonhos em letra grande e o mascote do Paca.

O 13º costuma chegar com mais destinos do que dinheiro. Um dos dois já pensou em quitar o cartão, o outro na viagem de janeiro, e o IPVA, que vence logo no começo do ano, não está na cabeça de nenhum dos dois. Quando a parcela cai sem um combinado, quem decide é quem estava com o aplicativo do banco aberto, e a conversa acontece depois, já em tom de cobrança.

A resposta curta: decidam a ordem antes de 30 de novembro, e não só o valor de cada coisa. Primeiro a dívida cara, depois um colchão mínimo, depois as contas de janeiro, depois o fim de ano com teto, e só então a meta do casal e o valor livre de cada um. O que sobra de um degrau desce para o seguinte.

Quando o dinheiro cai, e por que isso muda o plano

Pela Lei 4.749, de 1965, a primeira metade do 13º é um adiantamento pago entre fevereiro e novembro (quem pede, recebe junto com as férias), e o restante sai até 20 de dezembro. Em 2026 o dia 20 cai num domingo, e a expectativa é de depósito até a sexta, dia 18 (InvestNews, atualizado em 17/07/2026). A primeira parcela vem sem desconto e a segunda vem com os descontos obrigatórios, por isso costuma ser menor, e é com o valor do holerite, não com a metade do salário bruto, que vocês devem fazer a conta.

Duas parcelas em meses diferentes ajudam quem combinou antes: a primeira ganha um destino só, como a dívida ou a reserva, e a segunda, que chega perto do Natal, fica para o fim de ano e para janeiro.

E o volume é grande. O DIEESE estimou que o 13º de 2025 colocaria cerca de R$ 369,4 bilhões na economia, pagos a 95,3 milhões de pessoas, com média de R$ 3.512 por pessoa (nota à imprensa do DIEESE, 13/11/2025). Para um casal em que os dois recebem, isso pode somar, de uma vez, mais do que vocês guardam em vários meses.

O que os brasileiros dizem que vão fazer com ele

Numa pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, feita entre 17 e 31 de outubro de 2025 com 1.131 entrevistas, 81% disseram que pretendiam usar o 13º no todo ou em parte; desses, 39% tinham como objetivo principal quitar dívidas, oito pontos a mais que no ano anterior, e 19% pagar contas básicas. Outros 19% planejavam guardar o valor inteiro, e 41% reconheceram que, sem o 13º, o orçamento ficaria comprometido, com atraso em contas e nas compras de fim de ano (Conexão Tocantins, 28/11/2025). Na edição anterior, 19% disseram que deixariam uma parte para as contas do ano novo, como IPVA, IPTU e matrícula escolar (Serasa, dezembro de 2024).

São respostas de pessoas sozinhas. Num casal são duas listas, e o 13º de um acaba disputado pelas prioridades do outro.

A fila: em que ordem o dinheiro sai

  1. Dívida com juro alto. Rotativo do cartão, cheque especial, parcela atrasada: os juros dessas dívidas costumam passar muito do que uma aplicação conservadora rende. Qual atacar primeiro, e como renegociar, está em casal endividado: o plano para sair das dívidas juntos.
  2. Um colchão mínimo, se ainda não existe. Meio mês do custo enxuto da casa, o primeiro degrau do guia de reserva de emergência para casal, impede que o próximo pneu furado vire dívida nova.
  3. As contas de janeiro. IPVA, IPTU, matrícula, material escolar, a fatura das compras de dezembro: somem o que vocês já sabem que vem e separem antes de qualquer outra coisa, porque o que entra na reserva e faz falta em janeiro acaba saindo dela no mesmo mês.
  4. O fim de ano, com teto. Presentes, ceia, viagem. O número é decidido a dois e anotado, e quem ganha menos não fica obrigado a acompanhar o ritmo de quem ganha mais.
  5. A reserva cheia ou a meta do casal. O que sobra vai para o que vocês já escolheram juntos, e para ver quanto o reforço adianta, coloquem os números na calculadora de reserva de emergência ou, se o destino é viagem, casamento ou entrada de imóvel, na calculadora de meta a dois.
  6. O valor livre de cada um. Uma parte que cada um gasta sem explicar, pelo mesmo raciocínio do valor livre do mês, que pode ser fixada logo no começo, como percentual, em vez de esperar o resto acabar.

A ordem não é lei: um casal sem dívida e com reserva completa vai direto para o item 4, e um casal com cartão rodando pode decidir que o fim de ano, desta vez, é pequeno. O que a fila evita é decidir item por item, conforme as ofertas aparecem.

Um exemplo com os números na mesa

Imagine um casal em que um tem carteira assinada e o outro é PJ, com custo enxuto da casa de R$ 5.000 por mês, R$ 9.000 já guardados e R$ 1.000 de aporte mensal na reserva; os números são de exemplo, para vocês trocarem pelos seus. Com uma renda estável e uma variável, o alvo da reserva é de seis meses de custo, R$ 30.000, e faltam R$ 21.000, o que dá 21 meses de aporte.

Só um dos dois recebe 13º, e as duas parcelas líquidas somam R$ 4.800. Não há dívida cara, e o colchão mínimo de R$ 2.500 já está coberto pelos R$ 9.000, então a fila começa em janeiro:

destinovalor
contas de janeiro (IPVA e material escolar)R$ 1.200
fim de ano, com tetoR$ 800
reservaR$ 2.000
valor livre, R$ 400 para cada umR$ 800
totalR$ 4.800

Com os R$ 2.000, o guardado passa a R$ 11.000, faltam R$ 19.000 e o prazo cai para 19 meses: o 13º adiantou dois meses de reserva sem tocar no dinheiro de janeiro e sem cancelar o Natal. Para conferir, coloquem na calculadora custo de R$ 5.000, uma renda estável e uma variável, guardado de R$ 11.000 e aporte de R$ 1.000.

E quando só um dos dois recebe?

Acontece em todo casal com um PJ, autônomo ou freelancer, e a própria estimativa do DIEESE deixa essas pessoas de fora, porque não há dados sobre o que elas recebem no fim do ano. A pergunta que quase ninguém faz em voz alta é se o 13º é de quem recebeu ou da casa.

Os dois caminhos funcionam, desde que sejam combinados:

  • O 13º entra como renda da casa. Faz sentido quando vocês já dividem as contas pela renda, porque o 13º é parte do salário anual de quem o recebe, e a reserva maior que a renda variável do outro exige é um custo dos dois.
  • O 13º fica com quem recebeu, e o outro monta o seu. Quem é PJ separa todo mês um doze avos do que ganha numa conta à parte e chega a dezembro com o próprio “13º”; cada um então leva o seu para a mesma fila.

O exemplo acima seguiu o primeiro caminho e deu o mesmo valor livre aos dois. No segundo, a fila é igual, só que com dois bolsos, e o quanto cada um põe na reserva pode seguir a régua da divisão proporcional ao salário.

Antes de 30 de novembro

Meia hora, os dois, com holerite e faturas abertos:

  1. Estimem o 13º líquido de quem recebe e anotem a data provável de cada parcela.
  2. Listem as contas de janeiro e somem.
  3. Decidam o teto do fim de ano e o valor livre de cada um.
  4. Escrevam a fila de vocês, do 1 ao 6, e o que a primeira parcela paga.
  5. Agendem a transferência da parte da reserva ou da meta para o dia em que o dinheiro cair, antes que ele se espalhe.

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Conteúdo editorial do blog do Paca Finance. Não é recomendação de investimento. Saiba como produzimos e revisamos nossos guias na política editorial.