pacafinance , página inicial

Dividir contas

Namorados dividem a conta? O combinado antes de morar junto

No namoro sério, o gasto que pesa não é o jantar: é a casa de quem recebe, a viagem e o presente. Como dividir cada um antes de dividirem o aluguel.

Madu Freire Avaliado por Mary Kondratieva Publicado em 6 min de leitura

Capa do artigo sobre as formas de repartir as despesas do casal: fundo rosa, a palavra Dividir contas em letra grande e o mascote do Paca.

Talvez seja a fase de vocês: um dorme na casa do outro de terça a sexta, já tem escova de dente no banheiro que não é seu, o delivery de sábado sai sempre do mesmo celular, e a viagem de dezembro tem destino escolhido e nenhum orçamento combinado. Pode ser que ninguém tenha falado de dinheiro até agora, porque nada parecia grande o bastante para virar conversa.

Muitos namorados dividem a conta de algum jeito, e não existe regra certa. A pergunta útil é o que fica fora da conta do restaurante, porque é nesse intervalo, entre o namoro sério e o aluguel assinado a dois, que se forma o padrão que vocês vão levar para dentro de casa depois.

O jantar é a menor parte

Quando o namoro engrena, os gastos mudam de lugar sem avisar ninguém: saem os programas pontuais, que têm conta na mesa, e entram os gastos difusos, que não têm, como o mercado de quem recebe o outro três noites por semana, a luz que sobe um pouco, o carro de aplicativo da madrugada, a gasolina de quem sempre busca e o delivery que cai no cartão de quem estava com o celular na mão.

Nenhum desses valores assusta sozinho, e por isso é fácil que eles fiquem fora da conversa. Somados, no fim do mês, podem pesar mais de um lado, e é comum os dois sentirem, cada um com a sua parcela de razão, que estão bancando a relação: quem recebe paga a casa, quem visita paga o caminho.

Revezar, dividir na hora ou proporcional?

Para os programas há três jeitos, e quem decide entre eles é a diferença de renda, não a etiqueta.

Dividir na hora, cada um pagando a sua parte no cartão ou no Pix, é o mais limpo quando os dois ganham parecido, ao custo de um pouco de frieza na mesa.

Revezar (“hoje sou eu, da próxima é você”) tem defensores. O portal Bora Investir, da B3, cita a planejadora financeira Luciana Seabra, adepta desse rodízio (Bora Investir, 2023), e o professor Dan Ariely, da Universidade Duke, que defende que uma pessoa pague a conta inteira e a vez vá alternando, porque pagar dói, e a dor maior está em passar de não pagar nada para pagar alguma coisa (Dan Ariely, 2008). O texto dele é um raciocínio, sem dados de pesquisa, e ele mesmo admite que o arranjo provavelmente não é o mais eficiente em dinheiro, então leiam como pista, não como regra. O ponto fraco é a memória: dois meses depois ninguém sabe de quem era a vez.

Proporcional é para quando a diferença de renda é grande. A doutora em psicologia clínica Cleide Bartholi, no livro Até que o Dinheiro nos Separe, aponta a proporcionalidade como a técnica que costuma gerar menos conflito, segundo a mesma matéria do Bora Investir. Na prática: se um ganha R$ 6.000 e o outro R$ 4.000, a proporção é de 60% e 40%, e quem ganha mais paga seis de cada dez programas, sem planilha nenhuma. A fórmula é a mesma da divisão proporcional ao salário, e a calculadora de divisão de contas faz a conta com o gasto do mês em programas no lugar das contas da casa.

Quem recebe em casa paga uma conta que não aparece?

Paga. Um exemplo hipotético, para dar escala: se o mercado de quem recebe passou de R$ 600 para R$ 800 por mês desde que o outro começou a dormir lá metade da semana, esses R$ 200 são um gasto do casal que está sendo lançado como gasto de uma casa só.

Não é caso de cobrar aluguel de quem ainda não mora junto. Dois arranjos resolvem: dividir a diferença que apareceu no mercado e nas contas, ou deixar que quem visita assuma uma parte fixa, como o mercado da semana ou todo delivery. Coloquem também o transporte na mesa, porque ele é a contrapartida de quem atravessa a cidade.

Viagem e presente: o teto vem antes da reserva

Viagem e presente apertam mais, porque neles ninguém quer parecer que economiza no outro, e há sinal de que gastar pelo outro além da conta não é raro: uma pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, que ouviu 1.732 pessoas em maio de 2024, encontrou que 32% dos entrevistados já se endividaram por causa de um parceiro e 25% já precisaram tomar crédito motivados pela pessoa amada (Serasa, 2024).

Para a viagem, combinem o valor total antes de reservar qualquer coisa, e depois quem paga o quê: passagem, hospedagem e o gasto do dia a dia lá. O acerto da volta, com parcela e tudo, está no guia de viagem a dois. Para os presentes, um teto por data, dito em voz alta, tira de cima de quem ganha menos a obrigação silenciosa de acompanhar o outro.

Quanto fica cada parte num mês de namoro?

Imagine um casal em que um ganha R$ 6.000 líquidos e o outro R$ 4.000, a mesma proporção de 60% e 40% do exemplo acima, e quem ganha menos dorme na casa de quem ganha mais metade da semana. Os números são de exemplo, para vocês trocarem pelos seus.

Num mês, os programas somam R$ 800, o mercado de quem recebe sobe os mesmos R$ 200 do exemplo de quem recebe em casa, e o aplicativo de ida e volta de quem visita custa R$ 150, o que dá R$ 1.150 de gasto do casal. Na proporção, quem ganha mais entra com R$ 690 e quem ganha menos com R$ 460. Como o mercado e o transporte já saíram do bolso de cada um, sobram os R$ 800 de programas para acertar: R$ 490 de um lado (690 menos 200) e R$ 310 do outro (460 menos 150). Uma viagem de R$ 3.000 no mesmo arranjo vira R$ 1.800 e R$ 1.200.

Essa conta pressupõe que cada um sabe quanto o outro ganha, e isso não é garantido: numa pesquisa da Serasa de junho de 2023 que ouviu 1.456 consumidores da base da empresa, só 45% disseram saber o salário ou rendimento do parceiro, e a maior fatia dos entrevistados (40%) prefere dividir as despesas igualmente (Serasa, 2023).

O que o namoro ensina para a casa

O jeito como vocês dividem agora é um ensaio. Se hoje um sempre paga e o outro sempre deixa, esse hábito se muda junto, e a conversa fica mais difícil quando o assunto deixa de ser um jantar e passa a ser o aluguel. Quando vocês forem morar juntos, as contas fixas entram em cena, e para essa fase o guia de como dividir as despesas desde o primeiro mês e a comparação dos quatro métodos de dividir as contas do casal pegam de onde este texto para.

Três passos para a conversa de domingo

  1. Olhem o último mês. Cada um abre o próprio extrato e marca o que foi gasto do casal: programas, delivery, mercado a mais, transporte, sinal da viagem.
  2. Escolham dois jeitos, não um. Um para os programas (na hora, revezamento anotado ou proporcional) e outro para a casa de quem recebe (dividir a diferença ou o visitante assumir uma parte fixa).
  3. Ponham teto na próxima viagem e no próximo presente, e marquem uma revisão daqui a três meses, porque o namoro vai mudar de tamanho.

Manda para quem divide as contas com você

WhatsApp (abre em nova aba)

Newsletter

Receba os guias por e-mail

Avisamos quando sai um guia novo de finanças a dois: dividir contas, organizar o orçamento e conversar sobre dinheiro sem briga. Só isso, sem fórmula mágica e sem e-mail todo dia.

Leia também

Conteúdo editorial do blog do Paca Finance. Não é recomendação de investimento. Saiba como produzimos e revisamos nossos guias na política editorial.