Planilha de gastos para casal: modelo grátis e como usar
Monte uma planilha de gastos para casal em 10 minutos: estrutura pronta para copiar, rotina semanal e quando trocar a planilha por um app.
Equipe Paca Finance Publicado em 12 min de leitura
A busca por uma planilha de gastos geralmente começa depois de um susto: a fatura do cartão veio maior do que os dois imaginavam, ninguém sabe dizer para onde foi o dinheiro do mercado, ou a conversa sobre quem pagou o quê virou discussão. Não é exagero — segundo pesquisa da Serasa divulgada em 2025, 53% dos casais apontam dinheiro como o principal motivo de brigas. Uma planilha bem montada não resolve tudo, mas tira a discussão do campo do “eu acho” e coloca no campo dos números.
Antes de continuar, um aviso honesto sobre o “modelo grátis” do título: não existe arquivo para baixar aqui. O que vocês vão encontrar é a estrutura completa — abas, colunas, categorias e fórmulas escritas por extenso — apresentada em tabelas que vocês copiam para o Google Sheets em uns 10 minutos. Na prática, é melhor assim: montar a planilha do zero faz vocês entenderem cada célula, em vez de herdar um arquivo cheio de abas que ninguém usa.
Ao final, vocês saem com: a estrutura de 3 abas pronta para copiar, as fórmulas de soma e divisão, uma rotina semanal de 10 minutos para a planilha não morrer, e os sinais de que chegou a hora de trocar a planilha por outra ferramenta.
O que uma planilha de casal precisa controlar
Uma planilha de gastos individual só precisa responder “quanto eu gastei”. A de casal precisa responder quatro perguntas — e é aí que a maioria dos modelos prontos falha:
- Quanto saiu no total? Todos os gastos conjuntos do mês, somados.
- Em quê? Gasto por categoria: mercado, moradia, lazer, transporte.
- Quem pagou? Sem a coluna “quem pagou”, é impossível fechar as contas no fim do mês.
- Quem deve quanto a quem? O acerto final: se um pagou mais do que a parte dele, o outro transfere a diferença via Pix.
Se a planilha de vocês não responde as quatro, ela controla gastos — mas não controla o casal. A parte de “quem pagou / quem deve” é justamente o que transforma uma planilha comum numa planilha de casal.
O modelo pronto para copiar
Três abas. Não mais. Planilha com oito abas é planilha abandonada em dois meses. Crie um arquivo novo no Google Sheets, compartilhe com o parceiro ou a parceira (os dois com permissão de edição) e monte o seguinte:
Aba 1 — Lançamentos
É onde tudo entra, um gasto por linha. As colunas:
| Coluna | O que registrar | Exemplo |
|---|---|---|
| A — Data | Dia da compra | 05/09/2026 |
| B — Descrição | O que foi, em poucas palavras | Mercado do mês |
| C — Categoria | Escolhida de uma lista fixa (aba 3) | Mercado |
| D — Valor | Em R$ | 487,32 |
| E — Quem pagou | Nome de quem passou o cartão ou fez o Pix | Ana |
| F — Forma | Pix, débito, crédito, boleto, dinheiro | Crédito |
| G — Mês de referência | Competência do gasto | set/2026 |
A coluna G existe por causa do cartão de crédito: uma compra feita dia 28 de setembro pode cair só na fatura de outubro. Decidam uma regra — a mais simples é lançar pelo mês da compra, não da fatura — e sigam sempre a mesma.
Dica prática: em C, usem validação de dados (Dados → Validação de dados → lista a partir de intervalo, apontando para a lista de categorias da aba 3). Isso impede que “Mercado”, “mercado” e “Supermercado” virem três categorias diferentes e quebrem as somas.
Aba 2 — Resumo mensal
É a aba que vocês olham na reunião semanal. Uma coluna por mês, e estas linhas:
| Linha | Fórmula sugerida (escrita por extenso) |
|---|---|
| Total gasto no mês | =SOMASE(Lançamentos!G:G; "set/2026"; Lançamentos!D:D) |
| Gasto por categoria (uma linha por categoria) | =SOMASES(Lançamentos!D:D; Lançamentos!C:C; "Mercado"; Lançamentos!G:G; "set/2026") |
| Quanto a pessoa 1 pagou | =SOMASES(Lançamentos!D:D; Lançamentos!E:E; "Ana"; Lançamentos!G:G; "set/2026") |
| Quanto a pessoa 2 pagou | =SOMASES(Lançamentos!D:D; Lançamentos!E:E; "Bruno"; Lançamentos!G:G; "set/2026") |
| Quanto cada um deveria pagar | Total do mês × porcentagem de cada um (aba 3) |
| Acerto do mês | O que a pessoa pagou − o que deveria pagar |
Se o “acerto” de alguém der negativo, essa pessoa transfere a diferença para a outra. Simples assim — e acaba a conversa de “acho que esse mês eu paguei mais”.
Aba 3 — Configurações
Os dados que mudam pouco: rendas, porcentagens e a lista de categorias com teto mensal.
| Campo | Exemplo |
|---|---|
| Renda da pessoa 1 (Ana) | R$ 6.000 |
| Renda da pessoa 2 (Bruno) | R$ 4.000 |
| Renda total | R$ 10.000 |
| % da pessoa 1 | =6000/10000 → 60% |
| % da pessoa 2 | =4000/10000 → 40% |
E logo abaixo, a lista de categorias com limite:
| Categoria | Teto mensal |
|---|---|
| Moradia (aluguel/financiamento + condomínio) | R$ 2.200 |
| Mercado | R$ 1.200 |
| Contas fixas (luz, água, internet) | R$ 450 |
| Transporte | R$ 500 |
| Lazer (restaurantes, streaming, passeios) | R$ 700 |
| Saúde | R$ 400 |
| Imprevistos | R$ 300 |
Sete categorias bastam. Com vinte, cada lançamento vira um debate filosófico sobre onde classificar a pizza de sexta.
Como preencher: rendas, categorias e divisão
Rendas primeiro. Preencham a aba 3 com o líquido que cai na conta de cada um — salário, freelas recorrentes, média dos últimos meses se a renda varia. O 13º e bônus entram no mês em que caem.
Divisão proporcional é o padrão mais justo quando os salários são diferentes. No exemplo acima: Ana ganha R$ 6.000 e Bruno R$ 4.000, então Ana cobre 60% dos gastos conjuntos e Bruno 40%. Se o mês fechou em R$ 5.200 de despesas compartilhadas, a conta é: Ana R$ 5.200 × 0,60 = R$ 3.120; Bruno R$ 5.200 × 0,40 = R$ 2.080. Se na prática Ana pagou R$ 4.000 e Bruno R$ 1.200, o acerto é Bruno transferir R$ 880 para Ana (R$ 2.080 − R$ 1.200). Vocês podem preferir dividir meio a meio ou juntar tudo — as três formas de dividir as contas têm prós e contras, e a planilha funciona com qualquer uma; só muda a linha de porcentagem na aba 3.
Para definir os tetos por categoria, um bom ponto de partida é a regra 50/30/20 popularizada por Elizabeth Warren: até 50% da renda para necessidades, 30% para desejos, 20% para poupar. No exemplo de renda total de R$ 10.000, isso significa até R$ 5.000 em moradia, mercado e contas, até R$ 3.000 em lazer e desejos, e R$ 2.000 guardados. Explicamos como adaptar a regra 50/30/20 para a realidade de casal em outro artigo — os tetos da tabela acima são só um exemplo, ajustem à renda de vocês.
O que entra na planilha: só gastos conjuntos. O gasto pessoal de cada um (academia, presente para amigo, hobby) fica fora — cada um administra o seu. Misturar tudo é o caminho mais rápido para um fiscalizar o cafezinho do outro.
Rotina de 10 minutos por semana
Planilha não morre por falta de fórmula; morre por falta de rotina. O combinado que funciona:
- Escolham um dia e horário fixos — domingo à noite, 10 minutos, celular na mão. Sempre o mesmo dia.
- Cada um lança os próprios gastos da semana (3–4 min). Abram o extrato do banco e a fatura parcial do cartão no app e copiem o que for conjunto. Não confiem na memória: extrato é a fonte da verdade.
- Olhem o Resumo juntos (3 min). Alguma categoria já passou de 80% do teto na metade do mês? É sinal amarelo — decidam juntos o que segurar.
- Sem julgamento no lançamento. A regra de ouro: registrar não é prestar contas. Comentário sobre gasto só na conversa mensal, nunca na hora de digitar.
- No fim do mês, um acerto só. Fechem o mês, vejam a linha de acerto e façam um único Pix. Acertar toda semana gera atrito à toa.
Dez minutos por semana somam ~40 minutos por mês. É o custo real de manter planilha — vale saber disso antes de começar.
Erros que fazem casais abandonarem a planilha
Quando uma planilha de casal morre, ela costuma morrer cedo — nos primeiros dois ou três meses. E quase sempre por um destes motivos:
- Deixar para digitar tudo no fim do mês. Sessenta lançamentos acumulados viram uma hora de digitação chata, ninguém lembra o que foi “PAG*JOSE SILVA R$ 89,90”, e a planilha atrasa até ser abandonada.
- Categoria demais. Se “Padaria”, “Mercado” e “Hortifruti” são categorias separadas, cada compra exige uma decisão. Sete categorias, no máximo dez.
- Só um dos dois preenche. A planilha vira “a planilha dela”, o outro se desliga, e quem digita se ressente. Cada um lança o que pagou — inegociável.
- Ignorar a competência do cartão. Sem regra clara para fatura, os totais nunca batem com o extrato e a planilha perde credibilidade.
- Usar a planilha como tribunal. Se todo lançamento vem com um “precisava mesmo?”, a pessoa para de lançar — e às vezes passa a esconder gasto, que é o começo de um problema bem maior.
- Não ter rotina fixa. “A gente atualiza quando der” significa nunca.
Reparem que quase todos os erros têm a mesma raiz: digitação manual. É trabalho repetitivo, chato, fácil de adiar — e quando atrasa, compromete todo o resto.
Quando a planilha deixa de dar conta
Sinais claros de que vocês estão gastando mais energia mantendo a ferramenta do que ela devolve: lançamentos atrasados há duas semanas, discussões sobre “quem esqueceu de anotar”, três cartões e duas contas para conferir, e a reunião de domingo virando sessão de digitação em vez de conversa sobre dinheiro.
Foi exatamente para eliminar essa digitação que ferramentas como o Paca Finance existem: em vez de copiar o extrato para a coluna D, um de vocês fotografa a notinha do mercado e a IA extrai valor, data e categoria sozinha — e o lançamento já aparece em tempo real para o outro, com a divisão calculada. Dá para testar no plano grátis, sem compromisso, em paca-web-twmh.vercel.app. A ressalva honesta: se a planilha de vocês já roda há meses sem atrito, trocar de ferramenta só por trocar não vale o custo da mudança — app resolve o problema de quem abandona planilha, não de quem mantém uma feliz. Se vocês estão nesse dilema, temos um comparativo dos apps de finanças para casal que inclui prós e contras de cada opção (planilha inclusive).
Perguntas frequentes
Qual a melhor planilha de gastos para casal?
A que os dois efetivamente preenchem. Em termos de estrutura, o mínimo são três abas: lançamentos (com coluna de quem pagou), resumo mensal (com o acerto de quem deve a quem) e configurações (rendas, porcentagens e tetos por categoria) — exatamente o modelo deste artigo. Desconfiem de planilhas muito elaboradas, com dezenas de abas e gráficos: complexidade é o principal motivo de abandono.
Como fazer uma planilha de gastos de casal no Google Sheets?
Criem um arquivo novo, compartilhem com edição para os dois e montem as três abas descritas acima: Lançamentos (data, descrição, categoria, valor, quem pagou, forma, mês), Resumo mensal (com SOMASE e SOMASES somando por mês, categoria e pessoa) e Configurações (rendas e categorias). Com as tabelas deste artigo abertas do lado, leva cerca de 10 minutos. Usem validação de dados na coluna de categoria para evitar erros de digitação.
Planilha ou aplicativo: o que é melhor para controlar gastos a dois?
Planilha ganha em flexibilidade e custo zero; perde em esforço — alguém precisa digitar cada gasto, toda semana, para sempre. App ganha em automação (leitura de notinha, sincronização em tempo real entre os dois celulares, alertas de orçamento); a contrapartida é menos personalização e, nos recursos avançados, assinatura. Regra prática: se vocês nunca mantiveram um controle por mais de três meses, o problema provavelmente é a digitação — comecem por um app. Se adoram personalizar e têm disciplina, a planilha serve bem.
Como dividir os gastos na planilha quando os salários são diferentes?
Pela divisão proporcional: cada um cobre a porcentagem da renda total que representa. Ganhou R$ 6.000 num casal que soma R$ 10.000? Cobre 60% dos gastos conjuntos. Na planilha, isso é uma célula na aba de configurações (=renda individual / renda total) multiplicada pelo total do mês no resumo. Meio a meio só costuma ser sustentável quando os salários são próximos — com diferença grande, quem ganha menos fica sem sobra e a divisão “igual” vira injusta.
Com que frequência precisamos atualizar a planilha?
Uma vez por semana, em dia e horário fixos, cada um lançando os próprios gastos — 10 minutos no total. Atualizar diariamente é ideal em teoria, mas insustentável na prática; mensalmente é pouco, porque 60 lançamentos acumulados desestimulam qualquer um e vocês só descobrem o estouro da categoria quando já aconteceu. Semanal é o equilíbrio: rápido o bastante para virar hábito, frequente o bastante para corrigir o rumo no meio do mês.
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